domingo, 8 de novembro de 2009

A Abordagem Centrada na Pessoa de Carl Rogers

Carl Rogers desenvolveu suas ideias para a educação a partir da teoria que obteve como psicólogo. No princípio foi difícil entender a teoria rogeriana, na área de educação, há resistência até hoje não só por parte do professor, mas também do aluno.
Rogers defende a mudança de comportamento através da aprendizagem significativa. Na sua
Abordagem Centrada na Pessoa, a tarefa do professor é facilitar o aprendizado, que o aluno conduz a seu modo. Um aprendendo com o outro todos os dias. Essa humildade por parte do professor os levará a um relacionamento autêntico.
Para Rogers, ensinar é mais é mais que transmitir conhecimentos. Para atingir os objetivos de facilitador é necessário desenvolver algumas qualificações, são elas:
Autenticidade: ser autêntico e expor seus limites e suas dificuldades, mostrando que não detém todo o conhecimento. Que é um ser real e comum com sua própria história de vida.
Aceitação incondicional: ter carinho pelo aluno, pelo que ele representa. Aceitá-lo como pessoa real com qualidades e defeitos.
Compreensão empática: se colocar na posição do outro, olhar através do ponto de vista do aluno.
Logo, é fundamental que o facilitador confie no ser humano, em suas potencialidades e capacidades.
É importante também evitar oferecer "munição" para o aluno atirar, ou seja, fixar regras e limites pois as ideias de Rogers podem incentivar uma liberdade sem limites.

Adolescência e Educação Comptemporâneas

Educar adolescentes hoje requer mais que vocação, necessita de uma tolerância constante e de dedicação para ultrapassar os obstáculos árduos que se apresentam hoje. A escola, local onde se deve crescer em sentidos múltiplos, na maioria das vezes demonstra medo tanto para os alunos quanto para o professor. Alunos que têm que se adaptar à escolas que se encontram em estados lamentáveis, professores, por sua vez, tendo que se adaptar também ao seu local de trabalho passar por tudo isso sem interferir na transmissão do conhecimento. Além disso, ser tolerável também a outros fatores decorrentes desta passagem da vida de seus alunos, a adolescência.
A nossa sociedade hoje vive e busca valores instantâneos e, em decorrência disso, os jovens não veem a educação como o caminho primordial para o sucesso pessoal, mas como algo que é obrigado a fazer.
Professores que alcançam êxito em seu papel de educador conseguem, a partir de um processo subjetivo dos conteúdos a serem dados, um processo educativo satisfatório fazendo com que os adolescentes não desprezem o seu papel. Um relacionamento interpessoal, afetuoso e de interesse de ambos, professor e aluno, juntos, caminhando para o aprendizado significativo. Um aprendendo com o outro, todos os dias.
Jovens, por mais questionáveis que sejam, necessitam de uma atenção constante e, muitas vezes, a procuram na sala de aula, já que a sociedade supre essa atenção de forma nem sempre coerente e satisfatória.

Teoria Humanista: A Aprendizagem Centrada Na Pessoa

Este tipo de teoria dá ênfase ao "eu" em todas as suas percepções, experiências e nas condições do ambiente para o desenvolvimento individual.O grande incentivador e criador dessa abordagem é Carl Rogers, para ele a realidade é um fenômeno subjetivo,pois o ser humano reconstrói em si o mundo exterior, partindo de sua percepção,recebendo os estímulos, as experiências e atribuindo-lhes um significado,tendo em foco o processo e não o produto.
Dessa forma, educação é tudo que estiver a serviço do crescimento pessoal, interpessoal e intergrupal.
Assim esse aprendizado é feito pelo aluno e professor, pois todos estão em constante aprimoramento e adaptação às situações do cotidiano.Para Rogers, a aprendizagem é contínua, já que estamos em constantes mudanças, sofrendo influências do meio.
A escola tem como papel, incentivar a autonomia do aluno, oferecendo condições para que ele se desenvolva. Como o ensino está centrado no ser humano, há que se descobrir os meios de dirigir sem dirigir a pessoa à sua própria existência para que ela possa estruturar-se e agir. Ao professor compete unicamente a habilidade de compreender-se e compreender aos outros,assumindo a função de facilitador.O aluno deve ser compreendido como um ser que se auto-desenvolve e cujo processo de aprendizado deve se facilitar.
Neste tipo de abordagem,há desprezo por qualquer tipo de padronização de produtos de aprendizagem e competências do professor. Rogers defende a auto-avaliação, onde " a avaliação de cada um de sua própria aprendizagem é um dos melhores meios pelo qual a aprendizagem auto-iniciada se torna aprendizagem responsável" (ROGERS, 1972).
Ao contrário da abordagem tradicional,enfatiza-se a empatia, a congruência, a aceitação incondicional, o subjetivo, o vir -a-ser contínuo característico do ser humano. Privilegia-se a interação entre pessoas envolvidas no processo ensino-aprendizagem.

Ensinar Adolescentes na Contemporaneidade

Além da difícil tarefa de transmitir conhecimentos e valores a adolescentes, o professor também se depara com indisciplina, apatia e violência.
Os ideais contemporâneos que envolvem os adolescentes valorizam a fama e o gozo imediato, preocupando-se somente no aqui e agora, fragilizando as relações afetivas, o outro é apenas objeto de puro gozo.
O adolescente despreza o papel do professor pois percebe suas contradições no impossível prometido na infância e desconfia dos ideais transmitidos. O adolescente não aceita o mestre, pois este se apresenta como autoridade e como "Todo", completo e absoluto.
Mas a saída para o sucesso dessa tarefa é mostrada pelos próprios adolescentes que fazem comentários de professores que acabam com a barreira professor/aluno subjetivando seu papel e fazem com que os mesmos se envolvam com atividades dinâmicas transmitindo o conhecimento de forma viva e envolvente. Estes professores estão em constante busca em novas significações, motivados pelo desejo de transmitir o saber para o aluno.

O Pensamento de Carl Rogers

As ideias de Carl Rogers tiveram grandes contribuições nas práticas educacionais. Em seu ideal de ensino, o papel do professor é apenas facilitar o aprendizado, que o aluno o conduz à sua maneira.
O pensamento de Rogers é conhecido como humanista pois, diferente da teoria freudiana, se baseia numa visão otimista do homem.
Rogers se opôs à teoria de B.F.Skinner de que o homem nasceria como uma máquina e que a sua personalidade seria moldada pelo meio através de repetições e condicionamentos. Para Rogers todos os homens são bons na sua essência, e que todo o aprendizado deveria ser organizado no sentido do indivíduo para o meio, e não o contrário. Neste sentido, ele nos diz:
"A Questão é saber se podemos permitir que o conhecimento se organize no e pelo indivíduo, em vez de ser organizado para o indivíduo."
Na sua abordagem centrada na pessoa, o indivíduo deve ser considerado com um todo: mente, corpo, sentimento e intelecto e que a educação só leva em conta a parte intelectual separando-o das outras partes. Rogers combate a aprendizagem do tipo "tarefas" que só utiliza a mente e não leva em consideração os sentimentos, emoções e não provoca a curiosidade que leva o aluno a se aprofundar mais. Para ele, ensinar é mais que transmitir conhecimento, é despertar curiosidade e instigar o desejo que ir além do conhecido.
Para um bom resultado como facilitador é preciso congruência estabelecendo regras junto com os alunos, aceitação incondicional considerando suas ações e reações e aceitando-os como pessoas reais e empatia deixando de lado os julgamentos e tentando compreender os alunos.
Para Rogers, um professor que ajuda o aluno a pensar por si próprio (confiando em sua abilidade) e, com carinho, conduzindo-o à participação e à independência é considerado um bom facilitador da aprendizagem.

Adolescência e Contemporaneidade

Os valores contemporâneos transmitidos à juventude valorizam a fama e o narcisismo, buscando o gozo imediato e preocupando-se com o aqui e agora, fragilizando relacionamentos afetivos e dispensando cada vez mais o saber e a cultura. Com toda essa influência, o professor que trabalha com adolescentes encontra muitos obstáculos para transmitir valores. O professor também se depara cada vez mais com apatia, indisciplina, afronta, violência e ambientes depredados.
O adolescente questiona os ensinamentos do mestre pois percebe que este se contradiz. O mestre também dificulta o relacionamento professor/aluno, o mesmo impõe sua autoridade e se coloca como um "Todo".
A solução para o sucesso na transmissão de valores está na empatia do professor, na relevância dos conhecimentos prévios para a sua evolução. Dessa forma, professor subjetiva o seu papel e transmite o conhecimento de maneira envolvente. O desejo que transmitir o saber é a principal chave para a conquista do aluno.