quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Indisciplina: Um sinal da modernidade?

Há uma preocupação cada vez maior com a indisciplina, mas ela é um fenômeno bem antigo e faz parte do processo de aprendizagem do ser humano.
Para o homem viver em sociedade, regulamentar o convívio com outros indivíduos é necessária a subordinação de regras, atitudes, valores e normas. A indisciplina é a oposição e resistência a essas regras.
Quando se trata da indisciplina do aluno no ambiente escolar, devemos buscar os motivos desses comportamentos não só no ambiente familiar, mas também na instituição de ensino. É preciso analisar as relações professor/aluno, ensino/aprendizagem, escola/sociedade.
A construção de regras em conjunto também facilita o convívio social e a subordinação já que as regras foram aceitas por todos. Quando a escola acolhe e considera e expressão de certos descontentamentos, sem se sentir institucionalmente ofendida e considera esses atos como lição de aprendizagem, ela poderá contribuir ainda mais para o ensino e o convívio social.

O lado negro da adolescência!

Entende-se que a adolescência é uma fase conflituosa da vida devido às transformações biológicas e psicológicas vividas. Surgem as curiosidades, os questionamentos, à vontade de conhecer, de experimentar o novo mesmo sabendo dos riscos, e um sentimento de ser capaz de tomar as suas próprias decisões.

É o momento em que o adolescente procura a sua identidade, não mais se baseando apenas nas orientações dos pais, mas também, nas relações que constrói com o grupo social no qual está inserido, principalmente o grupo de amigos.


A DROGA aparece na adolescência muitas vezes como uma ponte que permite o estabelecimento de laços sociais, propiciando ao indivíduo o pertencimento a um determinado grupo de iguais, ao tempo que buscam novos ideais e novos vínculos, diferentes do seu grupo familiar de origem.

Gorgulho (1996 p.163) acredita que numa situação de drogadição entre adolescentes, a família pode ajudar reconhecendo sua parcela de participação no que está ocorrendo. Depositar toda responsabilidade no adolescente, ou como afirma Scivoletto (2002 p.72) nas "más companhias", não só não solucionará o problema, como também não parece muito condizente com a realidade.

Ao descobrirem que o filho adolescente está usando drogas, alguns pais tendem a se sentirem culpados, questionando-se onde erraram na educação do filho, o motivo de tal fato estar acontecendo com eles já que nunca deixaram faltar nada em casa. Outros pais buscam a internação de seus filhos esperando um método de cura imediata. Há alguns que recebem a notícia acusando o grupo social a qual o filho pertence.


COMPORTAMENTO DELINQUENTE

O que se chama comportamento delinquente engloba uma diversidade de actos com formas de aparecimento muito distintas, sofre variações com o tempo e assume múltiplas facetas e formas de expressão.

Tipos de comportamento delinquente


Delinquência limitada à adolescência

Aparecimento na fase inicial da adolescência

Remissão da actividade delinquente durante a idade adulta

Prevalência generalizada e ausência de continuidade

Fenómeno temporário, adaptativo e quase universal


Comportamento anti-social persistente

Manifestações anti-sociais precoces

Actividade anti-social que se prolonga na idade adulta

Provável base biológica (e.g., défices nas capacidades neuro-psicológicas)

Representa uma fracção reduzida dos que praticam actos sociais

Indisciplina nas escolas

A indisciplina na sala de aula e na escola tem sido uma preocupação e tema de conversas em sala de professores, nas diversas instituições de ensino. Ela se manifesta no corredor, durante os intervalos, na sala de aula, nas visitas, nos eventos da escola, na entrada e na saída, etc. Manifesta-se através das conversas paralelas, na dispersão durante a aula, através da não participação, quando o aluno não traz o seu material, quando usa boné, ou CD player durante a aula, quando sujam as cadeiras e paredes, quando querem ir toda hora ao banheiro, quando não vão de uniforme à escola, ou mais seriamente através da manifestação da violência, do tráfico de drogas, furtos, portes de arma, etc. Todas estas manifestações perturbam o educador e toda a conjuntura escolar, mas se compararmos esta indisciplina com a indisciplina social – como fome, mortalidade infantil, desemprego, corrupção, assalto, seqüestro, neonazismo, violência no transito, pichações, depredações, lixo no chão, extermínio de crianças, impunidade, etc. – a indisciplina escolar não se parece tão grave.

A escola deve e precisa assumir o papel de garantir as condições apropriadas ao processo ensino-aprendizagem, a partir da sua realidade, e, portanto das condições, das necessidades e do desenvolvimento dos alunos. Dessa forma, as expectativas da escola precisam estar consensuadas entre toda a comunidade escolar e não apenas pelos profissionais da educação. A disciplina requer um aprendizado. Parafraseando Paulo Freire (1921 – 1997): Ninguém disciplina ninguém, mas por outro lado ninguém se disciplina sozinho. Os homens se disciplinam em conjunto, intermediados pela realidade do mundo.

A relação entre professor e aluno!

Às vezes a sala de aula parece um campo de batalha ente nações diferentes: professores e alunos parecem não falar a mesma língua e estar em lados opostos sempre. O educador, como parte mais experiente, deve ter sabedoria diante dessa situação, pois há muito o que ser observado.

Existem muitas possibilidades porque tal quadro acontece, porém, os motivos mais sérios podem estar:

Nos alunos: Na fase da adolescência, os alunos não têm muito interesse em aprender, pois não sabem reconhecer a importância de se estudar e não valorizam o estudo, tampouco o professor.

Nos professores: Diante da sala apática e desinteressada, o professor não demonstra empenho em despertar o interesse do aluno por não dominar estratégias que chame a atenção da faixa etária. Pior ainda, não quer saber se existe um método que pode dar certo, simplesmente ignora, é indiferente.

Na escola: A escola essencialmente tradicional não permite que os professores desenvolvam novos métodos de ensino, novas atividades que despertem o interesse dos alunos. Neste caso, cabe ao professor rever com seu coordenador as metodologias adotadas e o desempenho dos alunos.

Na família: As famílias dos alunos podem estar passando por problemas financeiros ou por brigas. Podem estar em processo de divórcio ou já estarem dissolvidas. Ainda pode ser o caso do jovem não ter tido desde a infância, a atenção devida e a educação adequada.

Nos jovens: Eles já têm em mente o motivo principal de ir à escola: encontrar os amigos e/ou namorado(a). Neste caso, só a conversa não resolve, é necessário além dela, descobrir outros alvos de interesse deste jovem ou deste casal e trabalhar em cima dos mesmos.

Portanto, é necessário reavaliar a conduta de todas as partes envolvidas no processo de aprendizagem e buscar alternativas para a melhoria do mesmo! E não simplesmente apontar um ou outro responsável!

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Carl Rogers acreditava que todos os seres humanos são motivados fundamentalmente por um processo voltado para o crescimento, que ele denominava tendência para a realização. Rogers teorizou que todas as motivações estão incluídas num processo fundamental, a tendência para a realização, que consiste na tendência do ser humano expressar toda sua capacidade tanto orgânica ou do eu. A tendência ampla e geral da natureza para o desenvolvimento é chamada de tendência formativa. O aspecto especificamente humano da tendência formativa é a tendência para a realização.

Não nos comportamos de maneira irracional, como afirmava a psicanálise. “Nosso comportamento é primorosamente racional, avançado com uma complexidade sutil e ordenada rumo aos objetivos que o organismo está empenhado em alcançar” (Rogers, 1983).


domingo, 15 de novembro de 2009

Carl Rogers

Este importante pensador americano foi o criador da Abordagem Centrada na Pessoa. Para ele, cada indivíduo é por si só motivado, tem tendência para o crescimento, curiosidade, o conhecer; é o que ele chama de Tendência Atualizante.
Para Rogers, os motivos e a vontade de aprender deve partir do próprio aluno e ele mesmo deve se analisar. Rogers defende uma educação voltada para conceitos e experiências, mas sem padrões a serem seguidos, o objetivo é a auto-realização do aluno; os alunos conquistam a liberdade para aprender.
Rogers também defende a aceitação incondicional entre os indivíduos; a empatia, que é a capacidade de se colocar no lugar do outro; e a congruência que é a liberdade de ser o que se é, ser coerente.
As teorias de Rogers tiveram grande repercussão ao redor do mundo, sendo a base da Filosofia Humanista. Ele publicou vários livros e seus pensamentos afetaram várias áreas do conhecimento moderno.

Adolescência e Contemporaneidade, efeitos na educação dos adolescentes

Em meio a essa sociedade onde impera a imersão de valores, o culto ao eu, o agora, a liberdade sem limites e a fama, constitui-se um desafio educar essa nova geração. Como ensinar o respeito ao próximo se a mídia prega a satisfação narcísea. Este é apenas um exemplo do grande paradoxo.
É difícil para o professor assumir sua missão de transmitir ideais e também é difícil para os alunos acreditar no que eles dizem, sendo a isto tão diferente do que a maioria faz. O conflito maior nessa questão de ensino-aprendizagem acontece entre os adolescentes, já que estes enfrentam e questionam com amior ímpeto aquilo que é transmitido.
Diante de vários conflitos, o adolescente desconfia de tudo e de todos e não aceita a figura do professor como aquele que sabe de tudo.
Os professores que alcançam seu sucesso diante da turma adolescente são aqueles que se sensibilizam com as questões da adolescência, que conseguem uma posição subjetiva na transmissão do conhecimento, levando em consideração a visão crítica do adolescente e abrindo espaço para debates e questionamentos sem abrir mão dos conteúdos formais.
Os professores preferidos dos alunos são aqueles que conseguem transmitir para eles o desejo de saber, pois há uma contínua vivacidade na sua forma de ensinar.